Fantasma de
Renan ainda
emperra CPMF
Enquanto o governo tenta desesperadamente entrar em acordo com a oposição para aprovar a prorrogação da CPMF sem que haja solução de continuidade em sua cobrança, o que lhe garantiria os R$ 40 bilhões de arrecadação previstos para o ano que vem, o fantasma do presidente licenciado do Senado ainda pode trazer problemas.
Na quarta-feira, o senador Jefferson Peres, relator do processo contra Renan no Conselho de Ética, pressionado por acusações antigas que já foram engavetadas há muito tempo, na época da antiga Sudam, ocupou a tribuna do Senado para defender-se e dizer que não é alguém ‘chantageável’. Ele não apontou a origem das acusações, mas fez questão de dizer que recebera carta de Renan negando qualquer interferência no caso. Se acreditou ou não, é uma questão. Se se sentiu tocado pela chantagem, ninguém sabe.
Paralelamente, o senador Garibaldi Alves, do PMDB do Rio Grande do Norte, lançou sua candidatura à sucessão de Renan Calheiros, apesar de os líderes do partido terem dito, no mínimo, que isso seria uma falta de respeito porque a cadeira de presidente do Senado ainda não estava vazia. Mas foi o próprio Renan Calheiros que deu sinal verde para que começassem as discussões em torno de sua sucessão.
Os dois episódios não têm ligação, a não ser a figura do próprio Renan, e podem tumultuar as negociações da prorrogação da CPMF, que estão em fase final de discussão entre governo e oposição. Com prejuízos evidentes apenas para o governo, que demorou a abandonar o antigo aliado. Seria uma vingança?
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
A ameaça de
ventos de
retrocesso
A América Latina costuma oscilar num pêndulo que vai da democracia a regimes ditatoriais tanto de esquerda como de direita. Há não muito tempo, a região sofreu com regimes militares que tomaram o poder em contraposição a governos eleitos que respiravam políticas sociais inspiradas nos ideais pregados pela chamada esquerda.
Foram longos anos de luta para voltar à democracia, o que incluiu o perdão aos excessos cometidos de lado a lado, política que eximiu torturadores e ladrões de dinheiro público que já foi abandonada tanto na Argentina quanto no Chile, mas que ainda persiste aqui.
O pior de tudo é que a democracia parece não conseguir lançar raízes mais profundas no continente e novamente se vê ameaçada por Hugo Chávez – nosso principal ditador de plantão no continente – e por seus seguidores menos votados, como Evo Morales e outros vizinhos.
Esses ventos de retrocesso devem preocupar os países latino americanos como um todo, já que, como qualquer doença, são de contágio rápido e fácil e de uma difícil cura depois.
No caso de Chávez, até o nosso senador mais melífluo, que não costuma tomar posições contra nada ou ninguém, já abriu o verbo pedindo que a Venezuela não seja aceita no Mercosul devido à perigosa corrida armamentista em que se envolve.
No Brasil, o perigo é a tentação de perpetuação no poder com que os áulicos de Lula acenam ao sussurrar-lhe um possível terceiro mandato, cuja possibilidade já vem assustando a oposição, que aspira voltar ao governo em 2011.
Lula sorri e tem negado qualquer pretensão a respeito, mas também já foi contra a reeleição e cumpre um segundo mandato, lutou muito contra a CPMF e agora não admite abrir mão dela, e outras coisas mais. Se ceder à tentação, nossa ainda adolescente democracia corre o risco de perecer.
ventos de
retrocesso
A América Latina costuma oscilar num pêndulo que vai da democracia a regimes ditatoriais tanto de esquerda como de direita. Há não muito tempo, a região sofreu com regimes militares que tomaram o poder em contraposição a governos eleitos que respiravam políticas sociais inspiradas nos ideais pregados pela chamada esquerda.
Foram longos anos de luta para voltar à democracia, o que incluiu o perdão aos excessos cometidos de lado a lado, política que eximiu torturadores e ladrões de dinheiro público que já foi abandonada tanto na Argentina quanto no Chile, mas que ainda persiste aqui.
O pior de tudo é que a democracia parece não conseguir lançar raízes mais profundas no continente e novamente se vê ameaçada por Hugo Chávez – nosso principal ditador de plantão no continente – e por seus seguidores menos votados, como Evo Morales e outros vizinhos.
Esses ventos de retrocesso devem preocupar os países latino americanos como um todo, já que, como qualquer doença, são de contágio rápido e fácil e de uma difícil cura depois.
No caso de Chávez, até o nosso senador mais melífluo, que não costuma tomar posições contra nada ou ninguém, já abriu o verbo pedindo que a Venezuela não seja aceita no Mercosul devido à perigosa corrida armamentista em que se envolve.
No Brasil, o perigo é a tentação de perpetuação no poder com que os áulicos de Lula acenam ao sussurrar-lhe um possível terceiro mandato, cuja possibilidade já vem assustando a oposição, que aspira voltar ao governo em 2011.
Lula sorri e tem negado qualquer pretensão a respeito, mas também já foi contra a reeleição e cumpre um segundo mandato, lutou muito contra a CPMF e agora não admite abrir mão dela, e outras coisas mais. Se ceder à tentação, nossa ainda adolescente democracia corre o risco de perecer.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Duas corridas
contra o tempo
no Senado
São duas corridas contra o tempo no Senado. Renan Calheiros tentando adiar seus julgamentos para que seus processos só terminem no ano que vem, quando a conclusão de todos eles fora anunciada, há algum tempo, para esse dia de finados que se aproxima. E o governo forçando a aprovação da prorrogação da CPMF, que não pode passar deste ano sob o risco de ter que ser recriada e haver uma perda de arrecadação de pelo menos R$ 10 bilhões com a chamada noventena – tempo que um imposto ou taxa deve levar antes de ser cobrado.
No caso de Renan, nosso senador, cuja licença médica está para terminar, finalmente parece ter aprendido a lição de que prudência e humildade – se acrescentar caldo de galinha fica melhor ainda – não fazem mal a ninguém e podem até ter resultado positivo. Foi o que começou a demonstrar quando pediu licença da presidência do Senado e, um pouco depois, dar sinal verde para as discussões sobre sua sucessão, indicando que não pretende – ou descobriu que não pode – voltar ao cargo.
Tivesse tomado tal atitude logo que começaram a pipocar as acusações contra ele, não teria praticamente paralisado o país por cinco meses, jogando o nome do Senado na lama e acabando de vez com a credibilidade dos políticos. De quebra, ainda poderia ter salvo o mandato de uma vez.
No caso da CPMF, a senadora Kátia Abreu, do DEM, reafirma que manterá seu parecer, a ser apresentado na CCJ do Senado contra a prorrogação da contribuição, já que ela não é empregada no que se destina: a Saúde. Com isso, o prazo previsto pelo governo de votar a prorrogação em plenário entre 18 e 20 de dezembro, já em segundo turno, pode estourar, livrando o país do imposto por pelo menos três meses.
contra o tempo
no Senado
São duas corridas contra o tempo no Senado. Renan Calheiros tentando adiar seus julgamentos para que seus processos só terminem no ano que vem, quando a conclusão de todos eles fora anunciada, há algum tempo, para esse dia de finados que se aproxima. E o governo forçando a aprovação da prorrogação da CPMF, que não pode passar deste ano sob o risco de ter que ser recriada e haver uma perda de arrecadação de pelo menos R$ 10 bilhões com a chamada noventena – tempo que um imposto ou taxa deve levar antes de ser cobrado.
No caso de Renan, nosso senador, cuja licença médica está para terminar, finalmente parece ter aprendido a lição de que prudência e humildade – se acrescentar caldo de galinha fica melhor ainda – não fazem mal a ninguém e podem até ter resultado positivo. Foi o que começou a demonstrar quando pediu licença da presidência do Senado e, um pouco depois, dar sinal verde para as discussões sobre sua sucessão, indicando que não pretende – ou descobriu que não pode – voltar ao cargo.
Tivesse tomado tal atitude logo que começaram a pipocar as acusações contra ele, não teria praticamente paralisado o país por cinco meses, jogando o nome do Senado na lama e acabando de vez com a credibilidade dos políticos. De quebra, ainda poderia ter salvo o mandato de uma vez.
No caso da CPMF, a senadora Kátia Abreu, do DEM, reafirma que manterá seu parecer, a ser apresentado na CCJ do Senado contra a prorrogação da contribuição, já que ela não é empregada no que se destina: a Saúde. Com isso, o prazo previsto pelo governo de votar a prorrogação em plenário entre 18 e 20 de dezembro, já em segundo turno, pode estourar, livrando o país do imposto por pelo menos três meses.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Renan começa
a desistir
de lutar
Finalmente, Renan Calheiros parece ter se convencido do que se disse aqui desde o começo da crise em que se envolveu por causa de seu relacionamento com a jornalista Mônica Veloso, que degringolou depois em acusações diversas que vão desde uso de laranjas a tentativas de espionar colegas para manter seu poder: sua única salvação era deixar o cargo de presidente do Senado, o que está fazendo agora ao dar sinal verde para que o PMDB comece a tratar de sua sucessão.
Seu apego ao cargo foi sua ruína e a demora em aceitar sua saída pode não ter mais volta. Abandonado pelos aliados, pelo governo e pelo PT, Renan já não tem como manobrar a não ser pedir humildemente que lhe deixem ao menos o mandato de senador, o que já parece impossível nesse momento, principalmente porque ele não abriu mão de suas iniciativas truculentas.
A última delas, por exemplo, assinada na véspera de anunciar sua licença da presidência do Senado, foi portaria publicada ontem determinando a abertura de sindicância para apurar afirmações do servidor Marco Santi, consultor legislativo. Antes do primeiro julgamento de Renan em plenário, Santi se demitiu do cargo de adjunto da secretária geral da Mesa do Senado, Cláudia Lyra, alegando pressões para ajudar na defesa do senador alagoano – uma medida que está sendo interpretada por alguns senadores como uma tentativa de intimidação e perseguição ao servidor.
De qualquer modo, mesmo aceitando deflagrar a própria sucessão e tentando escolher um sucessor, Renan não sabe mais com quem contar. Seu principal aliado, a seu lado desde o início de seu calvário, o senador José Sarney, continua sendo, sem dizer que é, um dos principais candidatos de consenso à presidência do Senado. E tem chances de chegar lá.
a desistir
de lutar
Finalmente, Renan Calheiros parece ter se convencido do que se disse aqui desde o começo da crise em que se envolveu por causa de seu relacionamento com a jornalista Mônica Veloso, que degringolou depois em acusações diversas que vão desde uso de laranjas a tentativas de espionar colegas para manter seu poder: sua única salvação era deixar o cargo de presidente do Senado, o que está fazendo agora ao dar sinal verde para que o PMDB comece a tratar de sua sucessão.
Seu apego ao cargo foi sua ruína e a demora em aceitar sua saída pode não ter mais volta. Abandonado pelos aliados, pelo governo e pelo PT, Renan já não tem como manobrar a não ser pedir humildemente que lhe deixem ao menos o mandato de senador, o que já parece impossível nesse momento, principalmente porque ele não abriu mão de suas iniciativas truculentas.
A última delas, por exemplo, assinada na véspera de anunciar sua licença da presidência do Senado, foi portaria publicada ontem determinando a abertura de sindicância para apurar afirmações do servidor Marco Santi, consultor legislativo. Antes do primeiro julgamento de Renan em plenário, Santi se demitiu do cargo de adjunto da secretária geral da Mesa do Senado, Cláudia Lyra, alegando pressões para ajudar na defesa do senador alagoano – uma medida que está sendo interpretada por alguns senadores como uma tentativa de intimidação e perseguição ao servidor.
De qualquer modo, mesmo aceitando deflagrar a própria sucessão e tentando escolher um sucessor, Renan não sabe mais com quem contar. Seu principal aliado, a seu lado desde o início de seu calvário, o senador José Sarney, continua sendo, sem dizer que é, um dos principais candidatos de consenso à presidência do Senado. E tem chances de chegar lá.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Negociações
aumentam
pela CPMF
O tempo está se esgotando para que o governo consiga aprovar a prorrogação da CPMF a tempo, no Senado, para que nada mude a partir do ano que vem. Caso contrário, o prejuízo poderá chegar a R$ 10 bilhões com a necessidade da chamada ‘noventena’, que seria necessária para a sua recriação.
O desespero das hostes governistas se mostra nas propostas mais estranhas que estão sendo feitas a (ou recebidas dos) aliados, como a de aumentar os recursos para a saúde – exatamente o setor que devia receber a grana recolhida pela CPMF. Afinal, a contribuição foi criada exatamente para isso e não para distribuição de bolsas diversas.
Essa proposta específica foi defendida pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá, e pelo ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e poderia vir através do chamado PAC da Saúde, ambicioso programa que está sendo gestado pelo ministro José Gomes Temporão que pode ter parte de seus recursos congelados, como normalmente acontece nesse governo.
Mas há quem queira muito mais do que isso, como o senador Edison Lobão, do PMDB, para quem o apoio à prorrogação da CPMF implica em resolver nomeações para o setor elétrico. “É preciso resolver primeiro isso”, disse ele ontem na maior cara de pau.
O balcão de negócios está aberto às claras. Compra quem pode, vende quem quer. Mas é preciso que se dê atenção a isso para que tais práticas nefastas possam um dia terminar e que os políticos voltem a votar alguma coisa de acordo com suas convicções e não em troca de favores, mesmo que estes tenham nobres objetivos.
aumentam
pela CPMF
O tempo está se esgotando para que o governo consiga aprovar a prorrogação da CPMF a tempo, no Senado, para que nada mude a partir do ano que vem. Caso contrário, o prejuízo poderá chegar a R$ 10 bilhões com a necessidade da chamada ‘noventena’, que seria necessária para a sua recriação.
O desespero das hostes governistas se mostra nas propostas mais estranhas que estão sendo feitas a (ou recebidas dos) aliados, como a de aumentar os recursos para a saúde – exatamente o setor que devia receber a grana recolhida pela CPMF. Afinal, a contribuição foi criada exatamente para isso e não para distribuição de bolsas diversas.
Essa proposta específica foi defendida pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá, e pelo ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e poderia vir através do chamado PAC da Saúde, ambicioso programa que está sendo gestado pelo ministro José Gomes Temporão que pode ter parte de seus recursos congelados, como normalmente acontece nesse governo.
Mas há quem queira muito mais do que isso, como o senador Edison Lobão, do PMDB, para quem o apoio à prorrogação da CPMF implica em resolver nomeações para o setor elétrico. “É preciso resolver primeiro isso”, disse ele ontem na maior cara de pau.
O balcão de negócios está aberto às claras. Compra quem pode, vende quem quer. Mas é preciso que se dê atenção a isso para que tais práticas nefastas possam um dia terminar e que os políticos voltem a votar alguma coisa de acordo com suas convicções e não em troca de favores, mesmo que estes tenham nobres objetivos.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Renan e CPMF
embolados
no Senado
Renan e CPMF. CPMF e Renan. São os dois assuntos que continuam em evidência no Senado, sem solução a curto prazo e talvez sem solução nenhuma a vista. Renan, com seu pedido de licença médica por dez dias, irritou Jefferson Peres, relator de seu segundo processo no Conselho de Ética, que já estrilou dizendo que a manobra não interrompe o prazo dado para a apresentação escrita de sua defesa prévia.
O senador continua jogando com a possibilidade de embolar seus julgamentos com a votação da prorrogação da CPMF, na tentativa de provar ao governo que, apesar de tudo, ainda tem força e não deve ser abandonado para cumprir seu calvário sozinho. Talvez esteja perdendo tempo e, mais que isso, inviabilizando uma possível salvação de seu mandato por embolar o meio de campo no Senado com conseqüências negativas para os planos do governo petista.
Já a queda de braço pela aprovação da prorrogação da CPMF nas bases que o governo quer, com alíquota de 0,38%, parece quase impossível nessa altura dos acontecimentos porque faltam os votos que poderiam sair do PSDB. O partido, que poderia apoiar a prorrogação, não está propenso a acreditar em qualquer promessa para desoneração futura de algum imposto por considerar que o governo jamais cumpre o que promete.
Haja vista o caso das três bolsas criadas dentro do Pronasci, que o governo concordou em retirar de medida provisória na Câmara para conseguir aprovar a CPMF e, depois, sorrateiramente, as incluiu de novo na mesma medida votada no Senado, numa manobra considerada suja por muitos senadores. Os últimos dias de novembro prometem...
embolados
no Senado
Renan e CPMF. CPMF e Renan. São os dois assuntos que continuam em evidência no Senado, sem solução a curto prazo e talvez sem solução nenhuma a vista. Renan, com seu pedido de licença médica por dez dias, irritou Jefferson Peres, relator de seu segundo processo no Conselho de Ética, que já estrilou dizendo que a manobra não interrompe o prazo dado para a apresentação escrita de sua defesa prévia.
O senador continua jogando com a possibilidade de embolar seus julgamentos com a votação da prorrogação da CPMF, na tentativa de provar ao governo que, apesar de tudo, ainda tem força e não deve ser abandonado para cumprir seu calvário sozinho. Talvez esteja perdendo tempo e, mais que isso, inviabilizando uma possível salvação de seu mandato por embolar o meio de campo no Senado com conseqüências negativas para os planos do governo petista.
Já a queda de braço pela aprovação da prorrogação da CPMF nas bases que o governo quer, com alíquota de 0,38%, parece quase impossível nessa altura dos acontecimentos porque faltam os votos que poderiam sair do PSDB. O partido, que poderia apoiar a prorrogação, não está propenso a acreditar em qualquer promessa para desoneração futura de algum imposto por considerar que o governo jamais cumpre o que promete.
Haja vista o caso das três bolsas criadas dentro do Pronasci, que o governo concordou em retirar de medida provisória na Câmara para conseguir aprovar a CPMF e, depois, sorrateiramente, as incluiu de novo na mesma medida votada no Senado, numa manobra considerada suja por muitos senadores. Os últimos dias de novembro prometem...
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Licença médica,
a última cartada
de Renan Calheiros
Renan Calheiros embolou mais uma vez o meio de campo ao pedir uma licença de 10 dias alegando problemas de saúde, o que pode atrasar o julgamento dos processos que tem no Conselho de Ética, apesar de alguns senadores, como Renato Casagrande, acharem que a manobra não interfere no prazo que ele tem para apresentar sua defesa, que seria feita por escrito.
Na tentativa de salvar ao menos o seu mandato, já que a presidência do Senado ele já considera perdida, Renan joga suas cartas agora atabalhoadamente, perdendo o sangue frio que manteve em todo o processo, até que Lula e o PT lhe tiraram o tapete e ele teve que finalmente licenciar-se da presidência do Senado.
Mas nosso senador de Murici ainda tem algumas cartas na manga, que vem guardando para a ocasião mais propícia (pelo menos para ele). Uma delas é a possibilidade de voltar à presidência da Casa, o que faria retornar a crise e paralisaria os trabalhos, inviabilizando qualquer tentativa do governo de aprovar o que quer que seja, muito menos a prorrogação da CPMF.
Seria uma última e desesperada ameaça para fazer com que o PT e o governo ainda o apoiassem nos processos que tem a enfrentar e num possível novo julgamento no plenário do Senado.
Só esquece que uma manobra desse tipo poderia ter uma conseqüência rápida e fatal, com o andamento de seus processos sendo acelerado para que tudo termine rapidamente e a nova crise não dure tanto para não prejudicar a própria aprovação da prorrogação da CPMF.
Esta, por sua vez, continua encruada. Ou o governo cede na questão da alíquota ou na redução da carga tributária seja por onde for, ou ela não passa. Pelo menos esse ano.
a última cartada
de Renan Calheiros
Renan Calheiros embolou mais uma vez o meio de campo ao pedir uma licença de 10 dias alegando problemas de saúde, o que pode atrasar o julgamento dos processos que tem no Conselho de Ética, apesar de alguns senadores, como Renato Casagrande, acharem que a manobra não interfere no prazo que ele tem para apresentar sua defesa, que seria feita por escrito.
Na tentativa de salvar ao menos o seu mandato, já que a presidência do Senado ele já considera perdida, Renan joga suas cartas agora atabalhoadamente, perdendo o sangue frio que manteve em todo o processo, até que Lula e o PT lhe tiraram o tapete e ele teve que finalmente licenciar-se da presidência do Senado.
Mas nosso senador de Murici ainda tem algumas cartas na manga, que vem guardando para a ocasião mais propícia (pelo menos para ele). Uma delas é a possibilidade de voltar à presidência da Casa, o que faria retornar a crise e paralisaria os trabalhos, inviabilizando qualquer tentativa do governo de aprovar o que quer que seja, muito menos a prorrogação da CPMF.
Seria uma última e desesperada ameaça para fazer com que o PT e o governo ainda o apoiassem nos processos que tem a enfrentar e num possível novo julgamento no plenário do Senado.
Só esquece que uma manobra desse tipo poderia ter uma conseqüência rápida e fatal, com o andamento de seus processos sendo acelerado para que tudo termine rapidamente e a nova crise não dure tanto para não prejudicar a própria aprovação da prorrogação da CPMF.
Esta, por sua vez, continua encruada. Ou o governo cede na questão da alíquota ou na redução da carga tributária seja por onde for, ou ela não passa. Pelo menos esse ano.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Prorrogação da
CPMF subiu
no telhado
Pelas contas do governo, que inicia esta semana uma pressão desesperada, não haveria votos suficientes para a aprovação da prorrogação da CMPF, processo que se complicou não só com a aprovação da fidelidade partidária pelo Supremo Tribunal Federal, como pela insistência em proteger o aliado Renan Calheiros, ameaçado de cassação em diversos processos.
Apesar de o PSDB, mesmo que dividido, ter resolvido aprovar a prorrogação do imposto perverso, criado por ele mesmo e sempre combatido por Lula e PT, faltariam pelo menos três votos para a maioria necessária à aprovação de sua prorrogação ainda este ano.
Para complicar, existe Renan Calheiros, cujos processos no Conselho de Ética podem não estar mais na crista da mídia, mas não estão mortos e enterrados, como gostaria a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti.
Ele volta ao Senado esta semana para articular sua absolvição, senão no Conselho de Ética, ao menos no plenário do Senado, antes mesmo da votação da prorrogação da CPMF, por temer ser abandonado pelo governo e o PT – nosso senador conhece bem seus aliados –, se o imposto passar antes disso. É uma corrida contra o tempo na qual só o governo e a própria instituição tem a perder.
Ainda acreditando em seu prestígio, Renan também tenta influir na escolha de seu sucessor, na presidência da Casa, cujo principal candidato, além de Tião Viana, o interino do PT, é José Sarney, que não admite disputar o cargo, mas manobra nos bastidores para ser escolhido como gosta: por aclamação. De uma forma ou de outra, sua volta pode embolar o meio de campo de novo e colocar o governo definitivamente contra ele.
CPMF subiu
no telhado
Pelas contas do governo, que inicia esta semana uma pressão desesperada, não haveria votos suficientes para a aprovação da prorrogação da CMPF, processo que se complicou não só com a aprovação da fidelidade partidária pelo Supremo Tribunal Federal, como pela insistência em proteger o aliado Renan Calheiros, ameaçado de cassação em diversos processos.
Apesar de o PSDB, mesmo que dividido, ter resolvido aprovar a prorrogação do imposto perverso, criado por ele mesmo e sempre combatido por Lula e PT, faltariam pelo menos três votos para a maioria necessária à aprovação de sua prorrogação ainda este ano.
Para complicar, existe Renan Calheiros, cujos processos no Conselho de Ética podem não estar mais na crista da mídia, mas não estão mortos e enterrados, como gostaria a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti.
Ele volta ao Senado esta semana para articular sua absolvição, senão no Conselho de Ética, ao menos no plenário do Senado, antes mesmo da votação da prorrogação da CPMF, por temer ser abandonado pelo governo e o PT – nosso senador conhece bem seus aliados –, se o imposto passar antes disso. É uma corrida contra o tempo na qual só o governo e a própria instituição tem a perder.
Ainda acreditando em seu prestígio, Renan também tenta influir na escolha de seu sucessor, na presidência da Casa, cujo principal candidato, além de Tião Viana, o interino do PT, é José Sarney, que não admite disputar o cargo, mas manobra nos bastidores para ser escolhido como gosta: por aclamação. De uma forma ou de outra, sua volta pode embolar o meio de campo de novo e colocar o governo definitivamente contra ele.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Votação da
CPMF encrenca
no Senado
Como já era esperado, a coisa se complicou para o governo na tramitação da aprovação da prorrogação da CPMF no Senado, mesmo depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter ameaçado com o aumento de outros impostos.
Do exterior, o presidente Lula, em périplo pela África e tal vez desinformado do que está acontecendo aqui, continua insistindo na prorrogação pura e simples e do jeito que foi aprovada na Câmara, embora alguns de seus ministros já tenham acenado com compensações.
O problema é que a oposição não confia nas promessas do governo que, de modo geral, não costuma cumpri-las mesmo, como aconteceu na aprovação da prorrogação na Câmara: o governo retirou três novas bolsas de auxílio a jovens carentes de uma MP, num acordo para que a CPMF andasse, e as reapresentou logo depois.
Para que o Senado aprove a medida estão sendo oferecidas compensações que vão de desoneração das folhas de pagamento à isenção para quem ganha menos – isenções essas que já existem e beneficiam até aposentados que ganham até 10 salários mínimos.
A queda de braço entre governo e oposição promete esquentar e periga de o governo ver ultrapassado o prazo para que a CPMF continue em vigor como está. De qualquer forma, vai ter que perder alguma coisa, se mais não for, abrindo mão de parte da alíquota de 0,38% já para 2008.
Como complicador, a fidelidade partidária, que já preocupa três senadores que deixaram o DEM – Edson Lobão, Romeu Tuma e César Borges – que até admitem voltar ao partido pelo risco de perderem o mandato, e assim não poderiam mais votar com o governo.
CPMF encrenca
no Senado
Como já era esperado, a coisa se complicou para o governo na tramitação da aprovação da prorrogação da CPMF no Senado, mesmo depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter ameaçado com o aumento de outros impostos.
Do exterior, o presidente Lula, em périplo pela África e tal vez desinformado do que está acontecendo aqui, continua insistindo na prorrogação pura e simples e do jeito que foi aprovada na Câmara, embora alguns de seus ministros já tenham acenado com compensações.
O problema é que a oposição não confia nas promessas do governo que, de modo geral, não costuma cumpri-las mesmo, como aconteceu na aprovação da prorrogação na Câmara: o governo retirou três novas bolsas de auxílio a jovens carentes de uma MP, num acordo para que a CPMF andasse, e as reapresentou logo depois.
Para que o Senado aprove a medida estão sendo oferecidas compensações que vão de desoneração das folhas de pagamento à isenção para quem ganha menos – isenções essas que já existem e beneficiam até aposentados que ganham até 10 salários mínimos.
A queda de braço entre governo e oposição promete esquentar e periga de o governo ver ultrapassado o prazo para que a CPMF continue em vigor como está. De qualquer forma, vai ter que perder alguma coisa, se mais não for, abrindo mão de parte da alíquota de 0,38% já para 2008.
Como complicador, a fidelidade partidária, que já preocupa três senadores que deixaram o DEM – Edson Lobão, Romeu Tuma e César Borges – que até admitem voltar ao partido pelo risco de perderem o mandato, e assim não poderiam mais votar com o governo.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Lambança de
Renan encrencou
até o governo
Renan Calheiros está de molho, escondido, e pretende continuar assim por algum tempo na esperança de que seus pares e o próprio governo esqueçam a lambança que fez no Senado, com prejuízos evidentes para a credibilidade não só da instituição como de todos os políticos, e da própria governabilidade do governo, que agora enfrenta sérios problemas para a aprovação da prorrogação da CPMF.
Seu golpe de apenas licenciar-se da presidência do Senado por 45 dias, rompendo o acordo que fizera de simplesmente renunciar ao cargo, mais uma vez lhe trouxe prejuízos porque as quatro representações que tem contra si não foram unificadas e pipocarão uma atrás da outra a partir do início de novembro, e se sabe que qualquer uma delas poderá ser fatal para seu futuro político, que deve amargar no ostracismo de suas fazendas em Murici – castigo pouco para o estrago que fez ao país, como um macaco numa loja de produtos de vidro.
Enquanto isso não se resolve, o Senado já decidiu que ele não volta mesmo à presidência e o PMDB já rachou com a briga dos postulantes ao cargo, que só Tião Viana, que é do PT, diz não querer. É briga para cachorro grande que ainda vai durar até que seja declarada vaga a presidência, com a renúncia ou a cassação de Renan.
De lambuja, o quadro complica a aprovação da prorrogação da CPMF, que pode até não sair, pelo menos este ano. O governo, antes inflexível, já admite negociar isenções para determinadas faixas de renda e até uma redução de alíquota para já. A oposição, escaldada com promessas não cumpridas do governo, admite negociar, mas quer ver tudo assinadinho no papel. O tempo corre, mas a situação não é sem saída, a não ser para o ego dos envolvidos.
Renan encrencou
até o governo
Renan Calheiros está de molho, escondido, e pretende continuar assim por algum tempo na esperança de que seus pares e o próprio governo esqueçam a lambança que fez no Senado, com prejuízos evidentes para a credibilidade não só da instituição como de todos os políticos, e da própria governabilidade do governo, que agora enfrenta sérios problemas para a aprovação da prorrogação da CPMF.
Seu golpe de apenas licenciar-se da presidência do Senado por 45 dias, rompendo o acordo que fizera de simplesmente renunciar ao cargo, mais uma vez lhe trouxe prejuízos porque as quatro representações que tem contra si não foram unificadas e pipocarão uma atrás da outra a partir do início de novembro, e se sabe que qualquer uma delas poderá ser fatal para seu futuro político, que deve amargar no ostracismo de suas fazendas em Murici – castigo pouco para o estrago que fez ao país, como um macaco numa loja de produtos de vidro.
Enquanto isso não se resolve, o Senado já decidiu que ele não volta mesmo à presidência e o PMDB já rachou com a briga dos postulantes ao cargo, que só Tião Viana, que é do PT, diz não querer. É briga para cachorro grande que ainda vai durar até que seja declarada vaga a presidência, com a renúncia ou a cassação de Renan.
De lambuja, o quadro complica a aprovação da prorrogação da CPMF, que pode até não sair, pelo menos este ano. O governo, antes inflexível, já admite negociar isenções para determinadas faixas de renda e até uma redução de alíquota para já. A oposição, escaldada com promessas não cumpridas do governo, admite negociar, mas quer ver tudo assinadinho no papel. O tempo corre, mas a situação não é sem saída, a não ser para o ego dos envolvidos.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Uma reforma
com senado e
sem suplentes
Sempre que há uma crise mais violenta, como esta em que se envolveu Renan Calheiros, presidente licenciado do Senado, os oportunistas de plantão, agora inclusive o próprio Partido dos Trabalhadores, vêm com a tese de se cortar o mal pela raiz – no caso a extinção da própria instituição, numa tentativa de golpe que poderia facilitar suas vidas de falcatruas num sistema unicameral dominado pelo governo, que o manejaria com as benesses contumazes de cargos e verbas extraordinárias para emendas parlamentares que fizessem os políticos obedientes manterem seus currais eleitorais.
Uma reforma política que assumisse proposta estapafúrdia de tal quilate seria um golpe na própria democracia que tão duramente conquistamos após os chamados anos de chumbo de domínio militar, que tivemos que passar até que novamente pudéssemos respirar liberdade, que, convenhamos, nos ares de Brasília nem sempre cheira bem.
Mas há maneiras de se consertar as coisas sem maiores radicalismos, como a extinção, por exemplo, da figura nefasta do senador suplente, que normalmente não tem nome, mas tem dinheiro – nem sempre muito honesto – e se dispõe a financiar a campanha do político para substituí-lo ao menos por algum tempo no mandato, para aproveitar os holofotes da mídia ou, em outros casos, gozar de imunidade parlamentar e até foro privilegiado para as atividades ilícitas em que estiver envolvido.
Escorraçando-se essas figuras perniciosas da vida pública já teríamos um enorme ganho. Veja-se o grande cão de guarda de Renan, Wellington Salgado, presidente licenciado da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora da Universo e do Centro Universitário do Triângulo, acusado de ter desviado verbas descontadas de seus funcionários a título de contribuição previdenciária e Imposto de Renda, que está sob investigação no Supremo.
O cinismo desses políticos suplentes é tal que em sua página pessoal do Senado ele chega a dizer que “nas eleições de 2002 foi eleito 1º suplente de Senador pelo Estado de Minas Gerais, na chapa encabeçada pelo Senador Hélio Costa, com o sufrágio de 3.569.376 eleitores mineiros, com mandato até 2011”. Mas suplente não tem voto, cara-pálida.
com senado e
sem suplentes
Sempre que há uma crise mais violenta, como esta em que se envolveu Renan Calheiros, presidente licenciado do Senado, os oportunistas de plantão, agora inclusive o próprio Partido dos Trabalhadores, vêm com a tese de se cortar o mal pela raiz – no caso a extinção da própria instituição, numa tentativa de golpe que poderia facilitar suas vidas de falcatruas num sistema unicameral dominado pelo governo, que o manejaria com as benesses contumazes de cargos e verbas extraordinárias para emendas parlamentares que fizessem os políticos obedientes manterem seus currais eleitorais.
Uma reforma política que assumisse proposta estapafúrdia de tal quilate seria um golpe na própria democracia que tão duramente conquistamos após os chamados anos de chumbo de domínio militar, que tivemos que passar até que novamente pudéssemos respirar liberdade, que, convenhamos, nos ares de Brasília nem sempre cheira bem.
Mas há maneiras de se consertar as coisas sem maiores radicalismos, como a extinção, por exemplo, da figura nefasta do senador suplente, que normalmente não tem nome, mas tem dinheiro – nem sempre muito honesto – e se dispõe a financiar a campanha do político para substituí-lo ao menos por algum tempo no mandato, para aproveitar os holofotes da mídia ou, em outros casos, gozar de imunidade parlamentar e até foro privilegiado para as atividades ilícitas em que estiver envolvido.
Escorraçando-se essas figuras perniciosas da vida pública já teríamos um enorme ganho. Veja-se o grande cão de guarda de Renan, Wellington Salgado, presidente licenciado da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora da Universo e do Centro Universitário do Triângulo, acusado de ter desviado verbas descontadas de seus funcionários a título de contribuição previdenciária e Imposto de Renda, que está sob investigação no Supremo.
O cinismo desses políticos suplentes é tal que em sua página pessoal do Senado ele chega a dizer que “nas eleições de 2002 foi eleito 1º suplente de Senador pelo Estado de Minas Gerais, na chapa encabeçada pelo Senador Hélio Costa, com o sufrágio de 3.569.376 eleitores mineiros, com mandato até 2011”. Mas suplente não tem voto, cara-pálida.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Aberta a disputa
pelo espólio de
Renan Calheiros
Renan continua descendo a ladeira e seu espólio já é disputado no Senado, com preferências e vetos, como o feito ao ex-presidente José Sarney, um nome sempre lembrado para qualquer coisa, mas que, como macaco velho, não mete a mão em cumbuca: jamais disputa qualquer cargo e sempre manobra para ser o nome de ‘salvação nacional’. Desta vez não será.
Voltando a Renan, ele já perdeu o gabinete da presidência do Senado; seus seguranças, os trogloditas que sempre o acompanharam durante toda a crise, como se ele tivesse medo até de ser agredido por seus pares; o luxuoso carro da presidência – vai ter que se contentar com um carro igual ao dos demais senadores; a residência oficial, que terá que deixar; e, finalmente, o uso dos jatinhos da FAB, o que o fez ficar em Brasília no feriadão, por medo de ser vaiado ao viajar, como qualquer mortal, num avião comercial.
É muita perda para uma crise que começou com uma simples ‘puladinha de cerca’, mas não ficará restrita a isso. Ele continua garantindo que não renuncia ao mandato, mas isso já não vem ao caso porque, uma vez aberta a representação no Conselho de Ética, esta saída deixa de existir para a manutenção dos direitos políticos e o recurso a uma nova eleição.
De qualquer forma, os prazos continuam valendo: todas as representações – agora são quatro no Conselho de Ética – tem prazo para serem votadas até o dia de finados e as perspectivas para Renan são as piores possíveis, principalmente porque ninguém, inclusive o governo, enredado com a votação da prorrogação da CPMF, quer correr o risco de vê-lo voltar ao Senado em 45 dias.
pelo espólio de
Renan Calheiros
Renan continua descendo a ladeira e seu espólio já é disputado no Senado, com preferências e vetos, como o feito ao ex-presidente José Sarney, um nome sempre lembrado para qualquer coisa, mas que, como macaco velho, não mete a mão em cumbuca: jamais disputa qualquer cargo e sempre manobra para ser o nome de ‘salvação nacional’. Desta vez não será.
Voltando a Renan, ele já perdeu o gabinete da presidência do Senado; seus seguranças, os trogloditas que sempre o acompanharam durante toda a crise, como se ele tivesse medo até de ser agredido por seus pares; o luxuoso carro da presidência – vai ter que se contentar com um carro igual ao dos demais senadores; a residência oficial, que terá que deixar; e, finalmente, o uso dos jatinhos da FAB, o que o fez ficar em Brasília no feriadão, por medo de ser vaiado ao viajar, como qualquer mortal, num avião comercial.
É muita perda para uma crise que começou com uma simples ‘puladinha de cerca’, mas não ficará restrita a isso. Ele continua garantindo que não renuncia ao mandato, mas isso já não vem ao caso porque, uma vez aberta a representação no Conselho de Ética, esta saída deixa de existir para a manutenção dos direitos políticos e o recurso a uma nova eleição.
De qualquer forma, os prazos continuam valendo: todas as representações – agora são quatro no Conselho de Ética – tem prazo para serem votadas até o dia de finados e as perspectivas para Renan são as piores possíveis, principalmente porque ninguém, inclusive o governo, enredado com a votação da prorrogação da CPMF, quer correr o risco de vê-lo voltar ao Senado em 45 dias.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Renan leu Euclides
da Cunha demais,
e confundiu tudo
Em nome da CPMF, foi Lula que bateu o martelo para a retirada de Renan da presidência do Senado, como fez com todos os outros ‘aloprados’ pegos com a boca na botija. Este, sem mais escolha, ainda traiu seus ex-aliados mais uma vez, licenciando-se por apenas 45 dias, quando se diz que seu afastamento devia durar pelo menos 120, e isso para que pudesse tentar ao menos salvar seu mandato. Ele acha que voltando em plena votação da prorrogação da CPMF pode fazer o governo mandar o PT apoiá-lo de novo.
É preciso lembrar que a primeira traição de Renan foi após sua absolvição em plenário, quando estava combinado com o governo que ele devia pedir uma licença para não atrapalhar o andamento dos trabalhos na Casa, e ele deu uma de ‘joão sem braço’ e ficou, como se não tivesse acertado nada. A segunda foi quando comandou movimento do PMDB para recusar a aprovação da Secretaria do Futuro, de Mangabeira Unger, só para mostrar como sua presença no Senado era importante para o governo.
Parece que Renan andou lendo Euclides da Cunha demais e convenceu-se, como é dito em Os Sertões, de que o sertanejo é antes de tudo um forte. Mas esqueceu que o dito é quase uma maldição para quem tem que enfrentar todas as conseqüências de uma vida absolutamente adversa. Confundiu tudo.
Para Renan, sua adversidade foi toda cavada por ele próprio, como o afastamento de Jarbas e Simon da CCJ do Senado, que acabou revoltando o próprio PMDB, e as manobras para espionar senadores com o intuito de chantageá-los depois, em troca de apoio para manter-se no cargo. Com isso, perdeu o cargo e, muito certamente, também o mandato...
da Cunha demais,
e confundiu tudo
Em nome da CPMF, foi Lula que bateu o martelo para a retirada de Renan da presidência do Senado, como fez com todos os outros ‘aloprados’ pegos com a boca na botija. Este, sem mais escolha, ainda traiu seus ex-aliados mais uma vez, licenciando-se por apenas 45 dias, quando se diz que seu afastamento devia durar pelo menos 120, e isso para que pudesse tentar ao menos salvar seu mandato. Ele acha que voltando em plena votação da prorrogação da CPMF pode fazer o governo mandar o PT apoiá-lo de novo.
É preciso lembrar que a primeira traição de Renan foi após sua absolvição em plenário, quando estava combinado com o governo que ele devia pedir uma licença para não atrapalhar o andamento dos trabalhos na Casa, e ele deu uma de ‘joão sem braço’ e ficou, como se não tivesse acertado nada. A segunda foi quando comandou movimento do PMDB para recusar a aprovação da Secretaria do Futuro, de Mangabeira Unger, só para mostrar como sua presença no Senado era importante para o governo.
Parece que Renan andou lendo Euclides da Cunha demais e convenceu-se, como é dito em Os Sertões, de que o sertanejo é antes de tudo um forte. Mas esqueceu que o dito é quase uma maldição para quem tem que enfrentar todas as conseqüências de uma vida absolutamente adversa. Confundiu tudo.
Para Renan, sua adversidade foi toda cavada por ele próprio, como o afastamento de Jarbas e Simon da CCJ do Senado, que acabou revoltando o próprio PMDB, e as manobras para espionar senadores com o intuito de chantageá-los depois, em troca de apoio para manter-se no cargo. Com isso, perdeu o cargo e, muito certamente, também o mandato...
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Renan está
entre a cruz e
a caldeirinha
Um feriado prolongado, como o deste final de semana, é tudo de que o senador Renan Calheiros precisa para colocar a cabeça no lugar e optar entre continuar sua agonia até a cassação do mandato ou tentar preservar o principal – o próprio mandato – afastando-se imediatamente da presidência do Senado.
Acuado e abandonado por todos, inclusive pelo PT e até por Lula, que iniciou gestões para vê-lo rapidamente pelas costas, em nome de uma possível aprovação da CPMF ainda este ano, Renan não tem mais clima e até deputados já iniciaram um abaixo assinado, sob o slogan “Fora Renan e os 46 calheiros” – alusão aos que votaram por sua absolvição no primeiro processo – para tirá-lo do cargo.
A própria líder do PT, Ideli Salvatti, antes uma aliada ferrenha e há poucos dias comodamente plantada em cima do muro, já admitiu que a sessão de terça-feira, em que Renan foi confrontado por oposição e até por aliados, como Aloizio Mercadante, perdendo o controle e, na prática, sendo enxotado da sessão, foi um divisor de águas.
O desgaste de Renan está a vista de todos e até na Comissão de Ética, Leomar Quintanilha, um de seus cães de guarda, não conseguiu evitar a escolha de Jefferson Peres para ser o relator da terceira representação contra o senador, na denúncia pelo uso de laranjas para compra de rádios e um jornal em Alagoas.
Até aliados antigos, como José Sarney, já avisaram a Renan Calheiros de que o prosseguimento de sua teimosia em manter-se na presidência do Senado é um suicídio político que terminará inevitavelmente em cassação. Mas Renan tem até segunda-feira para escolher seu caminho.
entre a cruz e
a caldeirinha
Um feriado prolongado, como o deste final de semana, é tudo de que o senador Renan Calheiros precisa para colocar a cabeça no lugar e optar entre continuar sua agonia até a cassação do mandato ou tentar preservar o principal – o próprio mandato – afastando-se imediatamente da presidência do Senado.
Acuado e abandonado por todos, inclusive pelo PT e até por Lula, que iniciou gestões para vê-lo rapidamente pelas costas, em nome de uma possível aprovação da CPMF ainda este ano, Renan não tem mais clima e até deputados já iniciaram um abaixo assinado, sob o slogan “Fora Renan e os 46 calheiros” – alusão aos que votaram por sua absolvição no primeiro processo – para tirá-lo do cargo.
A própria líder do PT, Ideli Salvatti, antes uma aliada ferrenha e há poucos dias comodamente plantada em cima do muro, já admitiu que a sessão de terça-feira, em que Renan foi confrontado por oposição e até por aliados, como Aloizio Mercadante, perdendo o controle e, na prática, sendo enxotado da sessão, foi um divisor de águas.
O desgaste de Renan está a vista de todos e até na Comissão de Ética, Leomar Quintanilha, um de seus cães de guarda, não conseguiu evitar a escolha de Jefferson Peres para ser o relator da terceira representação contra o senador, na denúncia pelo uso de laranjas para compra de rádios e um jornal em Alagoas.
Até aliados antigos, como José Sarney, já avisaram a Renan Calheiros de que o prosseguimento de sua teimosia em manter-se na presidência do Senado é um suicídio político que terminará inevitavelmente em cassação. Mas Renan tem até segunda-feira para escolher seu caminho.
Renan pode
resistir só até
o dia de finados
Renan Calheiros tem data certa para cair: todas as suas representações têm que ser julgadas até 2 de novembro, sexta-feira, dia de finados, ou o Senado será inteiramente paralisado, o que implica risco total para a aprovação da CPMF, que o governo tanto quer e já conseguiu fazer passar na Câmara dos Deputados.
Na noite de terça-feira o movimento contra Renan ultrapassou os muros do Senado e chegou à Câmara. Num jantar em casa do deputado José Aníbal (PSDB-SP), 18 senadores e 48 deputados resolveram iniciar o movimento “Fora Renan”, que vai recolher assinaturas para pedir seu afastamento da presidência do Senado e promete uma obstrução total das duas casas legislativas, com evidentes prejuízos para a credibilidade política e o andamento do país.
Também na tarde/noite de terça-feira, o Senado viu-se enredado em intenso tiroteio, com Renan de um lado e uma série de senadores, inclusive a líder do PT, Ideli Salvatti, pedindo seu afastamento da presidência, o que levou a infindáveis bate-bocas.
O Palácio do Planalto parece finalmente convencido de que seu aliado já era, mas pouco pode fazer contra a teimosia irracional de um ‘aloprado’ que parece fora de controle e, apesar de quase um morto-vivo, ainda resiste a deixar a presidência do Senado como se abandonar o cargo fosse a própria morte.
Enquanto isso, o pontapé inicial de sua derrocada política, Mônica Veloso, fazia o maior sucesso no Congresso, com a revista Playboy batendo recordes de venda. Todo mundo querendo ver se Renan, ao menos, teve um motivo de bom gosto para cometer seu suicídio político.
resistir só até
o dia de finados
Renan Calheiros tem data certa para cair: todas as suas representações têm que ser julgadas até 2 de novembro, sexta-feira, dia de finados, ou o Senado será inteiramente paralisado, o que implica risco total para a aprovação da CPMF, que o governo tanto quer e já conseguiu fazer passar na Câmara dos Deputados.
Na noite de terça-feira o movimento contra Renan ultrapassou os muros do Senado e chegou à Câmara. Num jantar em casa do deputado José Aníbal (PSDB-SP), 18 senadores e 48 deputados resolveram iniciar o movimento “Fora Renan”, que vai recolher assinaturas para pedir seu afastamento da presidência do Senado e promete uma obstrução total das duas casas legislativas, com evidentes prejuízos para a credibilidade política e o andamento do país.
Também na tarde/noite de terça-feira, o Senado viu-se enredado em intenso tiroteio, com Renan de um lado e uma série de senadores, inclusive a líder do PT, Ideli Salvatti, pedindo seu afastamento da presidência, o que levou a infindáveis bate-bocas.
O Palácio do Planalto parece finalmente convencido de que seu aliado já era, mas pouco pode fazer contra a teimosia irracional de um ‘aloprado’ que parece fora de controle e, apesar de quase um morto-vivo, ainda resiste a deixar a presidência do Senado como se abandonar o cargo fosse a própria morte.
Enquanto isso, o pontapé inicial de sua derrocada política, Mônica Veloso, fazia o maior sucesso no Congresso, com a revista Playboy batendo recordes de venda. Todo mundo querendo ver se Renan, ao menos, teve um motivo de bom gosto para cometer seu suicídio político.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Renan Calheiros
conseguiu unir
todos contra ele
O mínimo que se tem dito atualmente, no Senado, é que Renan Calheiros levou a Casa para a sarjeta. Após as últimas manobras desesperadas para manter-se no caso a qualquer custo, como o afastamento de Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos da Comissão de Constituição e Justiça, e a tentativa de espionagem de senadores contrários a ele, nosso coronel de Murici parece ter conseguido o impossível: uniu praticamente todos contra ele.
Restam-lhe uns poucos cães de guarda, como Leomar Quintanilha, Almeida Lima e Wellington Salgado – este último apenas até dezembro, quando deve deixar o Senado principalmente por medo do que pode acontecer com a investigação de que é alvo por sonegação fiscal, ao desviar dinheiro recolhido dos funcionários de seu complexo educacional para pagamento de Imposto de Renda.
Agora, a própria líder do PT, Ideli Salvatti, partido antes aliado incondicional de Renan, já admite consultar a bancada antes de tomar uma posição, o que quer dizer que o apoio ao nosso senador já subiu no telhado, e Aloizio Mercadante defende um movimento suprapartidário para destituir o presidente do Senado.
A ironia disso tudo é que Renan Calheiros cavou a própria sepultura quando, por messianismo, achou-se acima de tudo e de todos e resolveu permanecer na presidência do Senado pensando que assim seria mais fácil contornar as primeiras acusações. Tivesse sido um pouco mais humilde e oferecido o cargo com a desculpa de deixar o Senado mais a vontade para apurar tudo, e de defender-se livre de quaisquer injunções, talvez tivesse conseguido manter ao menos o mandato. Agora, é tudo uma questão de tempo para uma queda humilhante.
conseguiu unir
todos contra ele
O mínimo que se tem dito atualmente, no Senado, é que Renan Calheiros levou a Casa para a sarjeta. Após as últimas manobras desesperadas para manter-se no caso a qualquer custo, como o afastamento de Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos da Comissão de Constituição e Justiça, e a tentativa de espionagem de senadores contrários a ele, nosso coronel de Murici parece ter conseguido o impossível: uniu praticamente todos contra ele.
Restam-lhe uns poucos cães de guarda, como Leomar Quintanilha, Almeida Lima e Wellington Salgado – este último apenas até dezembro, quando deve deixar o Senado principalmente por medo do que pode acontecer com a investigação de que é alvo por sonegação fiscal, ao desviar dinheiro recolhido dos funcionários de seu complexo educacional para pagamento de Imposto de Renda.
Agora, a própria líder do PT, Ideli Salvatti, partido antes aliado incondicional de Renan, já admite consultar a bancada antes de tomar uma posição, o que quer dizer que o apoio ao nosso senador já subiu no telhado, e Aloizio Mercadante defende um movimento suprapartidário para destituir o presidente do Senado.
A ironia disso tudo é que Renan Calheiros cavou a própria sepultura quando, por messianismo, achou-se acima de tudo e de todos e resolveu permanecer na presidência do Senado pensando que assim seria mais fácil contornar as primeiras acusações. Tivesse sido um pouco mais humilde e oferecido o cargo com a desculpa de deixar o Senado mais a vontade para apurar tudo, e de defender-se livre de quaisquer injunções, talvez tivesse conseguido manter ao menos o mandato. Agora, é tudo uma questão de tempo para uma queda humilhante.
domingo, 7 de outubro de 2007
Renan Calheiros
ainda é capaz
De muito mais
Depois que parecia que já tínhamos visto tudo em matéria de chicanas, eis que Renan Calheiros baixa ainda mais o nível e pode ser alvo de uma quinta representação por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado, em sua busca insana de manter o cargo de presidente da Casa a qualquer custo. Dos últimos lances lamentáveis, o primeiro foi a rebelião do PMDB que comandou, rejeitando a MP que criava a chamada Secretaria do Futuro – um recado ao governo de que não podia ser abandonado, como Lula fez com tantos companheiros aloprados. Parece que conseguiu seu intento nessa manobra.
Depois, foi a vez de afastar Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, dois peemedebistas históricos e decentes, da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, porque os dois não votam por sua cartilha, o que provocou reações imediatas, a ponto de o PSDB oferecer-lhes dois cargos que mantinha na mesma comissão.
O último episódio, entretanto, que raia a manobra de gangster, foi a tentativa anunciada no final de semana de mandar espionar senadores com o intuito chantageá-los e fazer com que não votem contra ele em seus próximos processos de cassação.
Com tais comportamentos, pouco a pouco Renan está colocando todo o Senado contra ele, e já enfrenta a deserção de um de seus principais cães de guarda: na bica de se ver enredado em denúncias próprias de sonegação fiscal, Wellington Salgado já anunciou sua retirada da vida pública agora em dezembro.
Será o fundo do poço? Não se sabe porque, em seu desespero, Renan pode ser capaz de muito mais, antes de cair. É esperar para ver.
ainda é capaz
De muito mais
Depois que parecia que já tínhamos visto tudo em matéria de chicanas, eis que Renan Calheiros baixa ainda mais o nível e pode ser alvo de uma quinta representação por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado, em sua busca insana de manter o cargo de presidente da Casa a qualquer custo. Dos últimos lances lamentáveis, o primeiro foi a rebelião do PMDB que comandou, rejeitando a MP que criava a chamada Secretaria do Futuro – um recado ao governo de que não podia ser abandonado, como Lula fez com tantos companheiros aloprados. Parece que conseguiu seu intento nessa manobra.
Depois, foi a vez de afastar Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, dois peemedebistas históricos e decentes, da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, porque os dois não votam por sua cartilha, o que provocou reações imediatas, a ponto de o PSDB oferecer-lhes dois cargos que mantinha na mesma comissão.
O último episódio, entretanto, que raia a manobra de gangster, foi a tentativa anunciada no final de semana de mandar espionar senadores com o intuito chantageá-los e fazer com que não votem contra ele em seus próximos processos de cassação.
Com tais comportamentos, pouco a pouco Renan está colocando todo o Senado contra ele, e já enfrenta a deserção de um de seus principais cães de guarda: na bica de se ver enredado em denúncias próprias de sonegação fiscal, Wellington Salgado já anunciou sua retirada da vida pública agora em dezembro.
Será o fundo do poço? Não se sabe porque, em seu desespero, Renan pode ser capaz de muito mais, antes de cair. É esperar para ver.
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