terça-feira, 30 de outubro de 2007

A ameaça de
ventos de
retrocesso

A América Latina costuma oscilar num pêndulo que vai da democracia a regimes ditatoriais tanto de esquerda como de direita. Há não muito tempo, a região sofreu com regimes militares que tomaram o poder em contraposição a governos eleitos que respiravam políticas sociais inspiradas nos ideais pregados pela chamada esquerda.
Foram longos anos de luta para voltar à democracia, o que incluiu o perdão aos excessos cometidos de lado a lado, política que eximiu torturadores e ladrões de dinheiro público que já foi abandonada tanto na Argentina quanto no Chile, mas que ainda persiste aqui.
O pior de tudo é que a democracia parece não conseguir lançar raízes mais profundas no continente e novamente se vê ameaçada por Hugo Chávez – nosso principal ditador de plantão no continente – e por seus seguidores menos votados, como Evo Morales e outros vizinhos.
Esses ventos de retrocesso devem preocupar os países latino americanos como um todo, já que, como qualquer doença, são de contágio rápido e fácil e de uma difícil cura depois.
No caso de Chávez, até o nosso senador mais melífluo, que não costuma tomar posições contra nada ou ninguém, já abriu o verbo pedindo que a Venezuela não seja aceita no Mercosul devido à perigosa corrida armamentista em que se envolve.
No Brasil, o perigo é a tentação de perpetuação no poder com que os áulicos de Lula acenam ao sussurrar-lhe um possível terceiro mandato, cuja possibilidade já vem assustando a oposição, que aspira voltar ao governo em 2011.
Lula sorri e tem negado qualquer pretensão a respeito, mas também já foi contra a reeleição e cumpre um segundo mandato, lutou muito contra a CPMF e agora não admite abrir mão dela, e outras coisas mais. Se ceder à tentação, nossa ainda adolescente democracia corre o risco de perecer.

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