segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Duas corridas
contra o tempo
no Senado

São duas corridas contra o tempo no Senado. Renan Calheiros tentando adiar seus julgamentos para que seus processos só terminem no ano que vem, quando a conclusão de todos eles fora anunciada, há algum tempo, para esse dia de finados que se aproxima. E o governo forçando a aprovação da prorrogação da CPMF, que não pode passar deste ano sob o risco de ter que ser recriada e haver uma perda de arrecadação de pelo menos R$ 10 bilhões com a chamada noventena – tempo que um imposto ou taxa deve levar antes de ser cobrado.
No caso de Renan, nosso senador, cuja licença médica está para terminar, finalmente parece ter aprendido a lição de que prudência e humildade – se acrescentar caldo de galinha fica melhor ainda – não fazem mal a ninguém e podem até ter resultado positivo. Foi o que começou a demonstrar quando pediu licença da presidência do Senado e, um pouco depois, dar sinal verde para as discussões sobre sua sucessão, indicando que não pretende – ou descobriu que não pode – voltar ao cargo.
Tivesse tomado tal atitude logo que começaram a pipocar as acusações contra ele, não teria praticamente paralisado o país por cinco meses, jogando o nome do Senado na lama e acabando de vez com a credibilidade dos políticos. De quebra, ainda poderia ter salvo o mandato de uma vez.
No caso da CPMF, a senadora Kátia Abreu, do DEM, reafirma que manterá seu parecer, a ser apresentado na CCJ do Senado contra a prorrogação da contribuição, já que ela não é empregada no que se destina: a Saúde. Com isso, o prazo previsto pelo governo de votar a prorrogação em plenário entre 18 e 20 de dezembro, já em segundo turno, pode estourar, livrando o país do imposto por pelo menos três meses.

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