Lambança de
Renan encrencou
até o governo
Renan Calheiros está de molho, escondido, e pretende continuar assim por algum tempo na esperança de que seus pares e o próprio governo esqueçam a lambança que fez no Senado, com prejuízos evidentes para a credibilidade não só da instituição como de todos os políticos, e da própria governabilidade do governo, que agora enfrenta sérios problemas para a aprovação da prorrogação da CPMF.
Seu golpe de apenas licenciar-se da presidência do Senado por 45 dias, rompendo o acordo que fizera de simplesmente renunciar ao cargo, mais uma vez lhe trouxe prejuízos porque as quatro representações que tem contra si não foram unificadas e pipocarão uma atrás da outra a partir do início de novembro, e se sabe que qualquer uma delas poderá ser fatal para seu futuro político, que deve amargar no ostracismo de suas fazendas em Murici – castigo pouco para o estrago que fez ao país, como um macaco numa loja de produtos de vidro.
Enquanto isso não se resolve, o Senado já decidiu que ele não volta mesmo à presidência e o PMDB já rachou com a briga dos postulantes ao cargo, que só Tião Viana, que é do PT, diz não querer. É briga para cachorro grande que ainda vai durar até que seja declarada vaga a presidência, com a renúncia ou a cassação de Renan.
De lambuja, o quadro complica a aprovação da prorrogação da CPMF, que pode até não sair, pelo menos este ano. O governo, antes inflexível, já admite negociar isenções para determinadas faixas de renda e até uma redução de alíquota para já. A oposição, escaldada com promessas não cumpridas do governo, admite negociar, mas quer ver tudo assinadinho no papel. O tempo corre, mas a situação não é sem saída, a não ser para o ego dos envolvidos.
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