Renan começa
a desistir
de lutar
Finalmente, Renan Calheiros parece ter se convencido do que se disse aqui desde o começo da crise em que se envolveu por causa de seu relacionamento com a jornalista Mônica Veloso, que degringolou depois em acusações diversas que vão desde uso de laranjas a tentativas de espionar colegas para manter seu poder: sua única salvação era deixar o cargo de presidente do Senado, o que está fazendo agora ao dar sinal verde para que o PMDB comece a tratar de sua sucessão.
Seu apego ao cargo foi sua ruína e a demora em aceitar sua saída pode não ter mais volta. Abandonado pelos aliados, pelo governo e pelo PT, Renan já não tem como manobrar a não ser pedir humildemente que lhe deixem ao menos o mandato de senador, o que já parece impossível nesse momento, principalmente porque ele não abriu mão de suas iniciativas truculentas.
A última delas, por exemplo, assinada na véspera de anunciar sua licença da presidência do Senado, foi portaria publicada ontem determinando a abertura de sindicância para apurar afirmações do servidor Marco Santi, consultor legislativo. Antes do primeiro julgamento de Renan em plenário, Santi se demitiu do cargo de adjunto da secretária geral da Mesa do Senado, Cláudia Lyra, alegando pressões para ajudar na defesa do senador alagoano – uma medida que está sendo interpretada por alguns senadores como uma tentativa de intimidação e perseguição ao servidor.
De qualquer modo, mesmo aceitando deflagrar a própria sucessão e tentando escolher um sucessor, Renan não sabe mais com quem contar. Seu principal aliado, a seu lado desde o início de seu calvário, o senador José Sarney, continua sendo, sem dizer que é, um dos principais candidatos de consenso à presidência do Senado. E tem chances de chegar lá.
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