Renan está
entre a cruz e
a caldeirinha
Um feriado prolongado, como o deste final de semana, é tudo de que o senador Renan Calheiros precisa para colocar a cabeça no lugar e optar entre continuar sua agonia até a cassação do mandato ou tentar preservar o principal – o próprio mandato – afastando-se imediatamente da presidência do Senado.
Acuado e abandonado por todos, inclusive pelo PT e até por Lula, que iniciou gestões para vê-lo rapidamente pelas costas, em nome de uma possível aprovação da CPMF ainda este ano, Renan não tem mais clima e até deputados já iniciaram um abaixo assinado, sob o slogan “Fora Renan e os 46 calheiros” – alusão aos que votaram por sua absolvição no primeiro processo – para tirá-lo do cargo.
A própria líder do PT, Ideli Salvatti, antes uma aliada ferrenha e há poucos dias comodamente plantada em cima do muro, já admitiu que a sessão de terça-feira, em que Renan foi confrontado por oposição e até por aliados, como Aloizio Mercadante, perdendo o controle e, na prática, sendo enxotado da sessão, foi um divisor de águas.
O desgaste de Renan está a vista de todos e até na Comissão de Ética, Leomar Quintanilha, um de seus cães de guarda, não conseguiu evitar a escolha de Jefferson Peres para ser o relator da terceira representação contra o senador, na denúncia pelo uso de laranjas para compra de rádios e um jornal em Alagoas.
Até aliados antigos, como José Sarney, já avisaram a Renan Calheiros de que o prosseguimento de sua teimosia em manter-se na presidência do Senado é um suicídio político que terminará inevitavelmente em cassação. Mas Renan tem até segunda-feira para escolher seu caminho.
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