Uma reforma
com senado e
sem suplentes
Sempre que há uma crise mais violenta, como esta em que se envolveu Renan Calheiros, presidente licenciado do Senado, os oportunistas de plantão, agora inclusive o próprio Partido dos Trabalhadores, vêm com a tese de se cortar o mal pela raiz – no caso a extinção da própria instituição, numa tentativa de golpe que poderia facilitar suas vidas de falcatruas num sistema unicameral dominado pelo governo, que o manejaria com as benesses contumazes de cargos e verbas extraordinárias para emendas parlamentares que fizessem os políticos obedientes manterem seus currais eleitorais.
Uma reforma política que assumisse proposta estapafúrdia de tal quilate seria um golpe na própria democracia que tão duramente conquistamos após os chamados anos de chumbo de domínio militar, que tivemos que passar até que novamente pudéssemos respirar liberdade, que, convenhamos, nos ares de Brasília nem sempre cheira bem.
Mas há maneiras de se consertar as coisas sem maiores radicalismos, como a extinção, por exemplo, da figura nefasta do senador suplente, que normalmente não tem nome, mas tem dinheiro – nem sempre muito honesto – e se dispõe a financiar a campanha do político para substituí-lo ao menos por algum tempo no mandato, para aproveitar os holofotes da mídia ou, em outros casos, gozar de imunidade parlamentar e até foro privilegiado para as atividades ilícitas em que estiver envolvido.
Escorraçando-se essas figuras perniciosas da vida pública já teríamos um enorme ganho. Veja-se o grande cão de guarda de Renan, Wellington Salgado, presidente licenciado da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora da Universo e do Centro Universitário do Triângulo, acusado de ter desviado verbas descontadas de seus funcionários a título de contribuição previdenciária e Imposto de Renda, que está sob investigação no Supremo.
O cinismo desses políticos suplentes é tal que em sua página pessoal do Senado ele chega a dizer que “nas eleições de 2002 foi eleito 1º suplente de Senador pelo Estado de Minas Gerais, na chapa encabeçada pelo Senador Hélio Costa, com o sufrágio de 3.569.376 eleitores mineiros, com mandato até 2011”. Mas suplente não tem voto, cara-pálida.
com senado e
sem suplentes
Sempre que há uma crise mais violenta, como esta em que se envolveu Renan Calheiros, presidente licenciado do Senado, os oportunistas de plantão, agora inclusive o próprio Partido dos Trabalhadores, vêm com a tese de se cortar o mal pela raiz – no caso a extinção da própria instituição, numa tentativa de golpe que poderia facilitar suas vidas de falcatruas num sistema unicameral dominado pelo governo, que o manejaria com as benesses contumazes de cargos e verbas extraordinárias para emendas parlamentares que fizessem os políticos obedientes manterem seus currais eleitorais.
Uma reforma política que assumisse proposta estapafúrdia de tal quilate seria um golpe na própria democracia que tão duramente conquistamos após os chamados anos de chumbo de domínio militar, que tivemos que passar até que novamente pudéssemos respirar liberdade, que, convenhamos, nos ares de Brasília nem sempre cheira bem.
Mas há maneiras de se consertar as coisas sem maiores radicalismos, como a extinção, por exemplo, da figura nefasta do senador suplente, que normalmente não tem nome, mas tem dinheiro – nem sempre muito honesto – e se dispõe a financiar a campanha do político para substituí-lo ao menos por algum tempo no mandato, para aproveitar os holofotes da mídia ou, em outros casos, gozar de imunidade parlamentar e até foro privilegiado para as atividades ilícitas em que estiver envolvido.
Escorraçando-se essas figuras perniciosas da vida pública já teríamos um enorme ganho. Veja-se o grande cão de guarda de Renan, Wellington Salgado, presidente licenciado da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora da Universo e do Centro Universitário do Triângulo, acusado de ter desviado verbas descontadas de seus funcionários a título de contribuição previdenciária e Imposto de Renda, que está sob investigação no Supremo.
O cinismo desses políticos suplentes é tal que em sua página pessoal do Senado ele chega a dizer que “nas eleições de 2002 foi eleito 1º suplente de Senador pelo Estado de Minas Gerais, na chapa encabeçada pelo Senador Hélio Costa, com o sufrágio de 3.569.376 eleitores mineiros, com mandato até 2011”. Mas suplente não tem voto, cara-pálida.
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