Campo gigante é
manipulação da
opinião pública
A descoberta anunciada ontem pela ministra Dilma Rousseff de um campo gigante de petróleo e gás na Bacia de Campos é no mínimo estranha enquanto o governo se debate entre as traições de última hora para a aprovação da CPMF no Senado e o estrago que algum ‘aloprado’ fez com a interrupção de fornecimento de gás natural para o Rio e São Paulo.
Primeiro porque a descoberta nem nova é e o anúncio parece ter sido feito para desviar a atenção da opinião pública, na melhor das hipóteses. O tal novo campo gigante de petróleo e gás já tinha sido anunciado pela Petrobras em julho do ano passado.
Segundo, porque seu tamanho e sua potencialidade são apenas hipóteses podendo ser, na prática, muito menor do que foi anunciado quinta-feira. Fora que depende de investimentos e de um bom tempo para entrar em operação. Se o nosso apagão de gás tivesse sido real, e não provocado, esse campo não serviria para nos tirar do buraco nem a médio prazo, quanto mais imediatamente.
O problema em que a Petrobras nos meteu, querendo cumprir intempestivamente um acordo que teria com a Aneel, de fornecer gás natural para as termoelétricas, tem outros senões e merecia ser melhor estudado.
Às vésperas da estação das chuvas, que vão recompor os reservatórios das hidrelétricas, e sem maiores problemas com fornecimento de energia, a necessidade de entrada em funcionamento das termoelétricas parece extemporânea. A principal pergunta é quem ganharia com isso.
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