Considerações
a respeito de um
terceiro mandato
Dizem que o papel aceita tudo e que a imaginação das pessoas não tem limite. Mas pode ter conseqüências funestas, principalmente para as incipientes democracias nesse nosso pedaço de mundo ainda tão atrasado que é a América Latina. O fogo começou pela Bolívia e a Venezuela, cujos presidentes estão tentando rasgar as leis e as conveniências para manter-se eternamente no poder. Nos dois casos, reformaram as constituições e querem consultas diretas ao povo para garantir uma eleição eterna.
No caso da Bolívia, a coisa já pegou fogo e Evo Morales está sendo frontalmente confrontado por governadores de cinco estados e já houve mortos e feridos, tudo levando a crer que a situação vai para um confronto mais grave e total, que pode terminar sangrentamente e com a sua deposição.
No caso da Venezuela a situação não é mais tranqüila, o que mostra o destempero de Hugo Chávez – que também quer eleição eterna – que atira em todas as direções, aparentemente sem controle, ameaçando até prender a cúpula da igreja católica no país. Seria um factóide, não fosse o risco de se transformar em realidade devido a seu destempero ante a possibilidade de ser derrotado no referendo que convocou para aprovar sua nova constituição bolivariana, que lhe dá poderes ilimitados.
O grande problema é que alguns setores brasileiros já ensaiam os primeiros passos para imitar o atraso e, se Lula diz não querer um terceiro mandato, setores do PT insistem que podem fazer consultas diretas à população e até um ministro, Patrus Ananias, já perguntou: “E se o povo quiser?” Seria bom que Lula esteja sendo sincero ao dizer que não quer um terceiro mandato e enterre a discussão logo, porque já vimos esse filme e não queremos uma reprise que termina mal para todo o mundo.
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