A CPMF depende
do terceiro
mandato de Lula
O PSDB já tinha quase embarcado na isca lançada pelo governo de que devia aprovar a prorrogação da CPMF porque pode estar à frente do país em 2011, mesmo sabendo que Lula pode manobrar para ir diminuindo a alíquota do imposto provisório até lá, quando começou a incomodar-se com sinais realmente mais preocupantes: a insistência de aliados do presidente para levar adiante uma proposta de emenda constitucional (PEC) que lhe garanta a possibilidade de disputar um terceiro mandato, que seria praticamente líquido e certo se ancorado nos programas sociais como Bolsa Família e quejandos, todos baseados na própria CPMF.
Verdade que Lula já vem negando, embora muito timidamente, querer um terceiro mandato. Já afirmou que a alternância de poder é a base da democracia, mas jamais foi realmente firme e mandou seus companheiros pararem com a brincadeira. Vezes dá a impressão que não quer mesmo disputar um terceiro mandato, mas ficar no poder por aclamação – alguma coisa como queria Jânio Quadros quando renunciou ao mandato pretendendo voltar mais forte nos braços do povo.
Não voltou e, infelizmente, o que se viu foi o início de um crepúsculo que se transformaria na grande noite de terror de uma ditadura que teve um milagre econômico, mas também nos oprimiu por décadas.
Quem despertou agora foi Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, que reclama não ter uma proposta concreta do governo para a aprovação e, principalmente, da possibilidade de um terceiro mandato. Quer que Lula seja mais enfático ao recusar isso e o presidente pode até ser. Mas quem acreditaria nele, que sempre muda de opinião quando lhe interessa?
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