De barganhas
políticas mais
ou menos sujas
A briga pela CPMF esquentou no Senado, com governo e oposição achando que podem ganhar. O PDT fechou questão pela aprovação, mas o PTB não, liberando seus senadores, apesar de o novo ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, ser do partido. O que se debate nessa queda de braço vai agora além do imposto do cheque, mas o próprio futuro do País, como alertou Roberto Jefferson na reunião da executiva de seu partido: “Se o governo ganha a votação da CPMF, ganha capital político para discutir um terceiro mandato”. E aí, segundo ele, corremos um risco concreto de virar uma nova Venezuela, sem o petróleo dela, mas com as agruras de mais um Chávez no poder.
A disputa está tão acirrada que Lula mandou encomendar a Sérgio Cabral uma manifestação ‘espontânea’ de prefeitos à aprovação da CPMF, em sua visita ao Rio nesta sexta-feira, além de criar um gabinete de crise com a ordem de: ‘se for decente, faz’, para comprar os votos dos senadores a venda.
De qualquer forma, os dados estão jogados e a decisão é para já, se Renan Calheiros não complicar mais uma vez, com seu julgamento em plenário na próxima terça-feira. Pelo acordão em curso, ele seria absolvido, apesar de estar em jogo a própria credibilidade do Senado como instituição. Mas quem está se importando realmente com isso?
A única coisa que importa é sua sucessão na presidência do Senado e o que pode atrapalhar sua absolvição é o excessivo apego do senador ao cargo. Se seus pares perceberem qualquer tentativa de traição na combinação dele renunciar, Renan pode ser condenado. E ele já avisou que pode não renunciar logo, só para não atrapalhar a subseqüente votação da CPMF, o que cheira a golpe.
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