Se correr o bicho
pega, se ficar
o bicho come
Num ataque raivoso ao DEM, que culpa pelas dificuldades de aprovação da prorrogação da CPMF e pelo atraso do País, “que teriam governado por 500 anos”, o presidente Lula deu munição suficiente aos senadores da oposição que são contra o imposto do cheque ao dizer que “O dinheiro da CPMF é para a Saúde, para a aposentadoria do trabalhador rural e para o bolsa família.” Em outras palavras, para garantir o chamado voto miserável, que embasou sua reeleição e pode cimentar o caminho para um terceiro mandato.
Jogando pesado, o governo conseguiu paralisar a Câmara dos Deputados para que esta não aprecie as medidas provisórias que lá estão e assim evitar que sejam enviadas ao Senado e acabem atrapalhando a votação da CPMF e, quem sabe, de lambuja, a cassação do aliado Renan Calheiros.
Esta sexta-feira, no Rio para lançar obras do PAC em áreas carentes, na Favela do Cantagalo, Lula acabará surpreendido por manifestação espontânea de prefeitos fluminenses, que ele mesmo pediu, mas que o governador Sérgio Cabral assumiu como idéia sua, de aprovação à manutenção da CPMF.
Seria de se perguntar o que prefeitos têm com essa história, mas parece que o dinheiro da CPMF serve de panacéia universal e, saindo de uma fonte sem fim, dá para comprar e atender todo mundo.
Enquanto isso, quem paga a conta, que é o trabalhador, é surpreendido com manobra no Senado – o mesmo que finge ser contra a CPMF – pelas mãos do senador fluminense Francisco Dornelles, que recria o imposto sindical, já extinto pela Câmara dos Deputados, e que serve para alimentar com luxo o peleguismo nacional. Parece que o brasileiro não tem saída, a não ser continuar sendo espoliado mesmo.
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