Centralismo
pode acabar
sendo fatal
O centralismo pode ser fatal, principalmente quando o chefão contrariado resolve enfrentar a situação com risco próprio, como Evo Morales está fazendo ao convocar plebiscito para saber se continua ou não governando a Bolívia. Claro que isso é apenas mais um golpe, que ele jamais deixará o poder de moto próprio. Mas ele joga todo o seu prestígio ao dizer que deixa o governo se tiver apenas um voto a menos do que quando for eleito. Provavelmente vai ter muito menos e ele vai continuar presidente, mas com menos poderes e possibilidades de fazer a Bolívia seguir pelo caminho que tinha aprovado na sua eleição, e que ele desvirtuou em busca de poder pessoal.
Esse não é exatamente o caso de Lula, que, apoplético, dispara sua metralhadora giratória contra todo o Senado, tentando desesperadamente não levar o não que considera vexatório, a não ser que se empolgue tanto que tenha um enfarte durante uma de suas duras pregações contra o que chama de elites e de sonegadores – os ricos que rejeitam sua rica CPMF.
Ele sabe bem que, com a alta carga tributária brasileira, e a arrecadação de impostos batendo recordes, ele realmente não precisa dos R$ 40 bilhões do imposto do cheque, mas também entrou em um caminho sem volta e verá seu prestígio pessoal ser abalado com a não prorrogação da CPMF, o que usará até o fim de seu governo, e mesmo durante a próxima campanha eleitoral – que para ele já começou – para culpar por todo e qualquer insucesso ou burrada que fizer.
A primeira das quais foi fazer de tudo para salvar primeiro o cargo de presidente do Senado e depois o próprio mandato de Renan Calheiros, sem se preocupar em quem será seu sucessor, uma situação que saiu inteiramente de controle.
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