quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

E Lula perdeu,
mas amanhã
será outro dia

A julgar o histórico de Lula, pelo que dizem seus assessores, de que vira fera ferida ao ser contrariado, o presidente não deve ter dormido essa noite, após a maior derrota política de seu governo ao ter a prorrogação da CPMF recusada por 45 a 34 votos no Senado, após horas e horas de discursos e discussões com lances até impensáveis e absolutamente inexplicáveis, como o de Pedro Simon, que chegou a bater boca tentando adiar a votação por pelo menos 12 horas.
Todo o processo foi mal conduzido porque o governo achava que podia passar o rolo compressor em tudo, não cedendo em nada. Só quando as dificuldades começaram a ser evidentes demais para serem escondidas debaixo do tapete, ele começou a tentar negociar, mas daquela forma a que já estava acostumado: prometendo alguma coisa para depois esquecer e não fazer nada. Basta lembrar a promessa de mandar um projeto de reforma tributária até o final de novembro, esquecida e adiada logo depois de ser considerada pela oposição.
Possivelmente, esse tipo de atitude tenha sido a pá de cal na prorrogação do imposto do cheque. O governo, em desespero, começou a prometer tudo, inclusive a aplicação de toda a CPMF na saúde – o que era uma mentira, porque os recursos seriam progressivos e sem a parte da DRU – o que uniu mais ainda a oposição por mostrar que tinha realmente força para vencer.
No fundo, foi só uma derrota política e não vai prejudicar o país, como dizem os catastrofistas. Não há nada como um dia atrás do outro, com uma noite no meio. Se Lula dormir bem, verá que basta dar uma reformulada no orçamento, talvez contendo o voraz apetite de seus pares petistas, para dar uma economizadinha e seguir em frente. Dinheiro há para isso, com o excedente fiscal de nossa alta carga tributária.

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