Governabilidade
está nas
mãos de Lula
Parece que só o governo não sabe – leia-se ministros e demais integrantes secundários do executivo – à exceção do presidente, a extensão do estrago com a revolta da oposição e de parte da base aliada, com a rejeição, pelo Senado, da prorrogação da CPMF. Mas a mensagem foi clara: o objetivo não era atingir Lula ou o governo, mas mostrar que a carga tributária está alta demais e o que se quer é uma diminuição dos impostos.
Lula, que já se disse uma metamorfose ambulante, parafraseando Raul Seixas, acusou o golpe, compreendendo a situação, e se adaptou instantaneamente, reagindo como político de bom estofo – um estadista, como gostaria de ser chamado – e sinalizou, até repreendendo o ministro da Fazenda, que precisa de saídas criativas.
Isso ficou bem claro com a desvinculação da DRU da CPMF – faziam parte do mesmo pacote – quando a primeira foi aprovada por 60 votos, permitindo que o governo possa remanejar 20% do orçamento a seu bel-prazer, o que lhe garante autonomia orçamentária e cumprir a meta do superávit primário como quiser.
A segunda votação da DRU acontece hoje, devendo ser aprovada e levando tranqüilidade ao governo. Mas uma tranqüilidade apenas aparente, que dependerá do que acontecer depois.
Se Lula, aprovada a DRU, cair na conversa de seus ministros raivosos e lançar um pacote tributário, pode se ver em grandes dificuldades até para manter a governabilidade. Será a guerra.
Se, ao contrário, continuar mantendo a cabeça fria e partir para um projeto de reforma tributária séria, estará no melhor dos mundos. Só que, para isso, talvez tenha que fazer uma reforma ministerial antes, desalojando seus despreparados falcões. Vai depender dele.
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