sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Governo acalma
discurso depois da
derrota política


O ‘day after’ da perda da CPMF não foi uma catástrofe, como vinha dizendo o governo quando fazia ameaças à oposição para tentar manter o imposto do cheque. Na verdade, além de não acontecer nada, além de uma recuada para reestudo do Orçamento de 2008, não houve grandes ameaças de cortes disso ou daquilo, a não ser ligeiras referências aos aumentos de servidores e de militares.
Lula, que foi se consolar na Venezuela, com Hugo Chávez, não disse como seu colega que tinha sido uma vitória de ‘mierda’ da oposição, mas, como se não fosse com ele, declarou apenas que isso são coisas da democracia. São mesmo, e ainda bem que são coisas da democracia.
Ninguém ainda se perguntou no governo quem foi que errou porque o principal articulador dessa derrota foi o próprio Lula. Convencido de que tudo podia, primeiro ele mandou passar o rolo compressor, o que até funcionou na Câmara. Depois, com a reação da oposição no Senado, partiu para as agressões, primeiro veladas, depois mais explicitas, quando esbravejou que quem era contra a CPMF era sonegador, indignando até governadores do PSDB, como Aécio Neves, que queriam ajudá-lo. Finalmente, e na undécima hora, mudou o discurso tentando contemporizar, mas já era tarde. Afinal, que acreditaria em promessas, mesmo que escritas em uma carta, de quem não tem palavra?
O discurso conciliatório de agora tem um bom motivo: o governo não precisava mesmo da CPMF, a não ser para continuar gastando irresponsavelmente, porque o excedente de impostos verificado esse ano já é do tamanho do que perdeu – ou deixou de ganhar.
O que fará agora é que pode fazer diferença. Se Lula quiser radicalizar, cortando alguma coisa só para culpar a oposição, como o aumento dos militares, por exemplo, poderá ver o feitiço virar contra o feiticeiro.

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