O acordão
de Renan
e a CPMF
Como se esperava, e ao arrepio da opinião pública, que na verdade já não se importava realmente muito com ele, Renan Calheiros foi absolvido por 48 votos, contra 29 a favor da cassação e três abstenções. Não foi um placar tão contundente como se esperava. Embora o corporativismo tenha falado mais alto, parte dos senadores mostrou relutância em participar do acordão e votou contra Renan, em atitude mais coerente com a decência que se exigiria de uma casa como o Senado Federal.
O acusado, cumprindo seu acordo, renunciou à presidência do Senado pouco antes da sessão em que seria julgado. Como desculpa para o cumprimento do acordo, numa alegação que beira o cinismo total, disse que o fazia para que o julgado não fosse o presidente da Casa, mas um simples senador, ele, Renan Calheiros. Para alguém que se apegou ao cargo como ele, para negociá-lo por sua salvação, não deixa de ser muita cara-de-pau.
O pior é que o gesto de Renan, apesar de ter sido combinado, só atrapalha o governo. Apesar de não ter renunciado atirando, ele saiu traindo seus aliados. O acertado é que o coronel de Murici continuasse licenciado pelo menos até o final do ano, quando só então renunciaria, para não atrapalhar a votação da prorrogação da CPMF, que já subiu no telhado e aparentemente não passa no Senado.
Os próprios votos a favor de Renan indicam isso: ele teve 48, a maior parte da base aliada e de alguns traidores da oposição. Esse total indicaria a força do governo no Senado e, com ele, vai ser difícil vencer a queda de braço pela CPMF, que precisaria de um mínimo de 49 votos para passar. E, com a disputa pelo espólio de Renan agora, tudo se complica ainda mais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário