quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O que Lula
mais teme é
levar um não

Pela CPMF, hoje, Lula faz qualquer coisa, até adiar uma viagem importante à Bolívia e expor-se ao ridículo de se dizer uma metamorfose ambulante por mudar de idéia – fez todo o esforço possível para combater a criação do imposto do cheque quando era oposição, exatamente por considerar que ele iria beneficiar o governo de Fernando Henrique Cardoso. Exatamente como faz agora, quando considera que a não aprovação da prorrogação vai prejudicar seu governo e, como frisa sempre, seus pobres.
Possivelmente, a CPMF está com seus dias contados e não vai passar mesmo no Senado, apesar da pressão dos governadores, que entraram na conversa do governo de que terão um troco a mais com ela.
Convencido disso, Lula e seus ministros já até deixaram as ameaças – e ameaças pesadas – de lado para partir ao que chamam de fase de convencimento. Lula, abjetamente, chegou a levar o médico Adib Jatene, criador da CPMF, para fazer o papel de emotivo inocente útil no lançamento do chamado PAC da Saúde – que pode não decolar, segundo ele, sem o dinheirinho do imposto. Chantagem pura.
Na verdade, Lula sabe muito bem que não precisa de CPMF alguma, a não ser para seus planos de continuar criando mais cargos e aparelhando o governo com seu insaciável pessoal do PT, e que o certo seria fazer o que já prometeu demais e jamais cumpriu: uma reforma tributária para valer que pode, numa aparente contradição, diminuir a carga tributária e aumentar a arrecadação.
O que dói realmente em Lula, nesse momento, é o que já doeu em Hugo Chávez. Dentro do seu centralismo de esquerda, que jamais abandonou, ele não admite é levar um não desses, o primeiro grande não desde que se tornou governo.

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