Um povo que
cresce na
América Latina
Parecia que a América Latina não tinha deixado de ser o paraíso das repúblicas de bananas, mas seu povo mudou, sim, e para melhor. É essa a constatação que se pode fazer ao “porque não te callas” do povo da Venezuela aos delírios de Hugo Chávez, negando-lhe superpoderes e a possibilidade de reeleição indefinida, mesmo enfrentando as velhas ameaças do ‘prendo e arrebento’. Se nosso mau aprendiz de feiticeiro tiver juízo, vai recuar o time para ver se ao menos empata o jogo.
A mesma reação Evo Morales está enfrentando na Bolívia, onde age de forma idêntica, ameaçando aprovar sozinho sua nova constituição e correndo o risco de incendiar o país e pegar fogo junto com ele.
Graças a Deus, por aqui, os problemas ainda são menores, como a irritação do governo com a dificuldade de aprovar a prorrogação da CPMF e o acordão no Senado para absolver seu presidente licenciado nesta terça-feira, no processo em que é acusado de usar laranjas para comprar rádios e jornal em Alagoas.
No caso de Chávez e Morales, eles acreditam tanto em seus sonhos mirabolantes que esquecem que as coisas não dependem só da vontade deles, que existe o povo de permeio entre o sonho e o pesadelo. Coisa que nosso Lula tem bem presente, tanto que, mesmo fingindo reagir ao debate que ele mesmo suscitava sobre seu terceiro mandato, deve enterrá-lo agora a partir da pesquisa da Datafolha que lhe dá 65% de não, inclusive nos estados do Nordeste, abençoados pelo Bolsa Família.
Essa reviravolta na Venezuela e a pesquisa do Datafolha podem ter influência na CPMF e na absolvição de Renan. Afinal, mostram que o Bolsa Família não tem tanta importância para pavimentar nova reeleição e Renan também não serve mais para ajudar o governo. Mas isso a gente começa a ver amanhã.
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