terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Vale tudo
para salvar
Renan Calheiros

Até hoje, o Senado só cassou um senador – Luis Estevão – envolvido em obras superfaturadas, e aparentemente Renan Calheiros não será o segundo a perder o mandato numa casa em que seus possíveis sucessores têm medo de concorrer à vaga que será aberta com sua previsível renúncia porque não querem correr o risco de virar vidraça. Em outras palavras, quase todos têm pecados a serem cobrados.
Estão nessa situação o próprio ex-presidente Sarney, que foge como o diabo da cruz quando alguém tenta colocar seu nome em discussão e joga Edison Lobão no fogo. O único que se aventura a colocar seu nome mais ou menos sem medo seria Garibaldi Alves, mas este não é bem-vindo pelo Planalto por seu posicionamento ao presidir a CPI dos Bingos, que o governo chamava de a CPI do Fim do Mundo.
De qualquer forma, essa não é uma discussão para este ano, a não ser que a CPMF seja realmente derrotada em plenário, se a oposição tiver os votos que impeçam sua aprovação (ela precisa de no mínimo 49 votos). A licença de Renan vai até o dia 29 e o Planalto não quer que o aliado renuncie logo – a renúncia faz parte do acordo para a absolvição –, para não prejudicar seus planos com a CPMF.
Dada como favas contadas, a absolvição do senador travestido de galã já não incomoda tanto a opinião pública, mais preocupada com a garfada da CPMF, e pode passar sem maiores conseqüências, mas não encerra seu calvário. É preciso lembrar que ainda faltam quatro processos tramitando no Conselho de Ética, mas que só darão uns poucos aborrecimentos, já que nenhum dos remanescentes tem acusações tão graves quando os dois primeiros.

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